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Atualizado: 15-12-2025 | Tempo de leitura: 4 minutos

'Vai pagar com a vida': saiba como advogada virou braço direito de traficante preso em Serrinha

A advogada Poliane França Gomes, presa por integrar o Bonde do Maluco (BDM), virou uma das mulheres mais perigosas do tráfico de drogas na Bahia. Como o cleristonsilva.com já tinha informado, ela era advogada, companheira e porta-voz do traficante Leandro da Conceição Santos Fonseca, conhecido pelos vulgos de ‘Léo Gringo’ e ‘Shantaram’. Em reportagem, o Fantástico, da TV Globo, detalhou que a entrada dela no crime começou em 2024. 

Isso porque, nessa época, ela começou a defender Léo Gringo nos 70 processos que ele acumula pelos crimes de tráfico, homicídios e associação criminosa. Após isso, foi cadastrada como companheira, passando a ter direito a visitas íntimas e mais tempo com Léo Gringo, o que possibilitou que ela se tornasse o braço direito dele no BDM, levando ordens dele da prisão de segurança máxima em Serrinha para fora do presídio. 

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Ao passar a controlar as ações criminosas do BDM, Poliane dava ordens e ameaçava rivais pelas redes sociais. "Vou começar a matar para essas desgraças pagarem" e "Pode avisar que quem não pagar, vai pagar com a vida" são algumas das mensagens enviadas por ela para traficantes do grupo ao cobrar dívidas para a facção.

Advogada é acusada de atuar como elo entre uma das maiores facções criminosas da região e o chefe do grupo

Nas mensagens, exibidas pelo Fantástico, ela atendia pelo codinome ‘RS ADV’, que significa Rainha do Sul Advogada. O nome pelo qual ela fazia questão de ser chamada faz referência a uma personagem de série de TV mexicana que, assim como ela, se envolve no tráfico e vira uma liderança criminosa. 

As investigações apontam que, mesmo preso desde 2013, Leandro continuava no comando do grupo enviando ordens por mensagens de celular. Áudios obtidos pela investigação mostram que ele ordenava a compra e venda de armas, além do transporte de drogas, especialmente crack, que chamava de “óleo”.

Leandro da Conceição Santos Fonseca, chefe do BDM, responde a mais de 70 processos por tráfico de drogas, homicídio e associação criminosa

Em 2024, Leandro passou a cumprir regime disciplinar diferenciado, em cela isolada no presídio de Serrinha, e perdeu o acesso ao celular. Foi nesse período que Poliane assumiu a defesa dele e, segundo a polícia, os dois montaram uma estratégia para manter o comando da facção fora da prisão.

Entre junho e agosto de 2025, Poliane fez 16 visitas ao chefe da facção. A movimentação chamou a atenção da polícia, que passou a monitorá-la. Ela foi presa na sua casa na Ladeira do Bambuí, no bairro de São Caetano, em Salvador, durante uma operação que também levou à prisão outros 14 integrantes do Bonde do Maluco, incluindo um dos gerentes do grupo criminoso.

Entre junho e agosto de 2025, Poliane fez 16 visitas ao chefe da facção, que está em cela isolada no presídio de Serrinha

Na casa da advogada, a polícia encontrou um documento que comprovava a união estável entre ela e Leandro. Também foram apreendidas cartas escritas à mão com ordens para a quadrilha, joias avaliadas em mais de R$ 1 milhão, carros de luxo, uma moto aquática, uma máquina de contar dinheiro e R$ 190 mil em espécie.

A operação também mirou o braço financeiro da facção em Feira de Santana, Lauro de Freitas, Camaçari, Salvador e outras cidades baianas. A polícia pediu o bloqueio de 26 contas bancárias ligadas ao grupo, com potencial de apreensão de mais de R$ 100 milhões, e identificou um haras em Pernambuco usado para lavar dinheiro por meio da compra e venda de cavalos de alto valor.

Poliane usava a posição de advogada para transmitir ordens, ameaças e orientações estratégicas da facção

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