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Atualizado: 20-01-2026 | Tempo de leitura: 4 minutos

Após pagar R$ 1,2 milhão, prefeitura de Tucano diz à CGU que obra não entregue fazia parte de “etapas futuras”

Após pagar R$ 1,2 milhão, prefeitura de Tucano diz à CGU que obra não entregue fazia parte de “etapas futuras”A cidade de Tucano, na região do Sisal, apresentou uma justificativa um tanto quanto inusitada à Controladoria-Geral da União (CGU) para justificar o pagamento de mais de R$ 1,2 milhão em um contrato aditivo a uma construtora por uma obra de pavimentação de ruas com paralelepípedo que sequer foi entregue. O dinheiro é parte dos R$ 19 milhões recebidos em emendas Pix ao longo de 2024.

O município argumentou à CGU que as frentes de serviço bancadas pelas emendas Pix ainda estavam em andamento durante a vistoria dos auditores. “Razão pela qual a constatação de eventuais ausências de calçadas, sinalização ou acabamento final não pode ser confundida com inexecução contratual, mas sim (sic) com etapas subsequentes do cronograma físico-financeiro”, assinalou.

A prefeitura de Tucano, comandada por Ricardo Maia Filho (MDB-BA), reconheceu que pagou por serviços não executados e se comprometeu a cobrar da construtora a entrega das obras custeadas com as emendas Pix. O município alegou, ainda, que pode ter “havido falhas” no momento do atesto formal, ou seja, da assinatura confirmando que a realização do serviço. Contudo, negou má-fé. Veja imagens das obras bancadas por emendas Pix:

Após pagar R$ 1,2 milhão, prefeitura de Tucano diz à CGU que obra não entregue fazia parte de “etapas futuras”

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Após pagar R$ 1,2 milhão, prefeitura de Tucano diz à CGU que obra não entregue fazia parte de “etapas futuras”

Essa versão do município, no entanto, foi rebatida pela CGU. “Essa abordagem não se sustenta diante das evidências coletadas, lastreadas por fotografias, georreferenciamento, inspeções conjuntas com engenheiros da própria Prefeitura e entrevistas com moradores”.

Os documentos, obtidos pela reportagem, mostram que a gestão do prefeito Ricardo Maia Filho (MDB-BA) carimbou as notas fiscais atestando que a empreiteira Santana Silva Construções e Serviços Eirelli (imagem em destaque) concluiu as obras. Procurada pela reportagem, a empresa não respondeu.

Para a CGU, não se tratou de “uma mera antecipação de pagamento de serviços”, uma vez que isso não está previsto em contrato: “Frise-se que os pagamentos realizados pela Prefeitura à empresa Santana Silva não se referem a valores de pouca monta – são processos que chegam a R$ 800 – 900 mil. A empresa, mesmo ciente da não execução de todos os itens do serviço, apresentou boletins de medição assinados por seu sócio e pelo engenheiro responsável, e emitiu notas fiscais desses montantes requerendo os pagamentos.”

Após pagar R$ 1,2 milhão, prefeitura de Tucano diz à CGU que obra não entregue fazia parte de “etapas futuras”

Prefeito fez publicidade da pavimentação no bairro de Mandacaru. A CGU, no entanto, encontrou irregularidades na obra bancada com emendas Pix

Tucano desembolsou R$ 6 milhões para a obra na soma do contrato assinado originalmente com o aditivo. No relatório, o órgão elenca uma série de irregularidades na aplicação das emendas Pix. A prefeitura não especificou, por exemplo, quais ruas seriam pavimentadas, tampouco anexou os documentos técnicos necessários para planejar e executar a obra.

A CGU considerou, ainda, que a prefeitura descreveu esse trabalho de pavimentação de modo “genérico”, o que prejudicou o acompanhamento e a fiscalização dos gastos.

“Verifica-se, portanto, que não foram definidas metas mensuráveis e passíveis de acompanhamento e avaliação da execução dos planos de trabalho. […] É importante relacionar essa ausência de especificação e documentação com as irregularidades, especialmente em relação à inexecução total ou parcial da pavimentação em diversas ruas de povoados do Município. A correta identificação dos objetos e metas contribuiria para o controle social e das instituições responsáveis, o que poderia inibir ou mitigar situações de malversação dos recursos públicos”, escreveu.

Após pagar R$ 1,2 milhão, prefeitura de Tucano diz à CGU que obra não entregue fazia parte de “etapas futuras”

Documentos mostram que a gestão do prefeito Ricardo Maia Filho carimbou notas fiscais atestando que a empreiteira concluiu as obras

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