Presidente do PT diz ter sido impedido de conceder entrevista em rádio após denúncia contra prefeito de Irará

O presidente do Diretório Municipal do PT de Irará, Nilo Dantas, afirmou ter sido impedido de conceder uma entrevista na Rádio Comunitária Irará FM nesta sexta-feira (29). Segundo ele, o espaço seria utilizado para comentar uma denúncia que resultou na abertura de uma investigação no Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) contra o prefeito do município, Nássara de Chico (MDB).
📲 Clique aqui para seguir o Portal Cleriston Silva no Instagram
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Nilo informou que deixou a emissora sem participar do programa e criticou a decisão. “Infelizmente nossa entrevista não pôde ser veiculada porque a direção da rádio proibiu”, afirmou.
Na gravação, o dirigente petista também desafiou o prefeito e integrantes da administração municipal a contestarem os fatos apresentados na denúncia protocolada no TCM. “Você foi denunciado e está sendo investigado por uma suspeita grave de desvio de recurso público, desvio de recurso federal, da educação, da saúde e do fundo de assistência social”, declarou.
Ao final da manifestação, Nilo classificou o episódio como uma tentativa de restringir o debate público. “Estamos vendo aí a volta da ditadura”, disse.
Entenda a investigação – O caso ocorre após o TCM receber uma representação protocolada pelo Diretório Municipal do PT de Irará contra o prefeito Nássara de Chico, secretários municipais e duas empresas contratadas para serviços de manutenção da frota municipal.
A denúncia aponta supostas irregularidades em contratos que, segundo o documento, movimentaram cerca de R$ 1,87 milhão ao longo de 2025 com recursos do Fundeb, dos fundos municipais de Saúde e Assistência Social e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Entre os principais questionamentos estão suspeitas de superfaturamento, pagamentos sem comprovação documental, utilização de placas incompatíveis com veículos escolares em notas fiscais e aquisição de peças para veículos que, segundo os denunciantes, não possuíam determinados equipamentos.
A representação também cita cobranças consideradas incompatíveis com os serviços realizados, incluindo registros de até 214 horas de mão de obra para um único veículo e 49 horas cobradas para alinhamento de direção de um ônibus escolar.
Outro trecho da denúncia aponta que ônibus da frota municipal teriam recebido substituições sucessivas de peças mecânicas em intervalos inferiores a 90 dias, além da compra de componentes de ar-condicionado para veículos que não possuíam sistema de climatização.
O processo está em análise no Tribunal de Contas dos Municípios e ainda não há decisão sobre o mérito das acusações.
O que diz a rádio – Após a repercussão do caso, a Rádio Comunitária Irará FM divulgou uma nota de esclarecimento informando que a entrevista com Nilo Dantas foi apenas suspensa temporariamente e não cancelada de forma definitiva.
Segundo a emissora, a decisão foi adotada de forma preventiva para permitir uma reunião interna destinada à definição de novas diretrizes para entrevistas de caráter político, com o objetivo de assegurar a imparcialidade, o contraditório e a segurança jurídica.
A rádio também informou que um dos principais assuntos da entrevista envolveria uma denúncia de suposta fraude e, por isso, considerou prudente aguardar que os fatos fossem oficialmente comunicados aos órgãos competentes e que houvesse manifestação formal da gestão municipal sobre o tema.
Ainda conforme a emissora, a medida busca garantir que todas as partes envolvidas tenham a oportunidade de apresentar esclarecimentos, evitando a divulgação de informações sem o devido contraditório.









