Suspender multas no São João? Sugestão de comunicador gera climão em coletiva de imprensa em Serrinha

Uma sugestão considerada temerária durante uma coletiva de imprensa sobre a organização do São João de Serrinha gerou tensão e desconforto entre autoridades e jornalistas na tarde desta quinta-feira (18). O comunicador José Ferraz propôs que o órgão municipal de trânsito suspendesse ou reduzisse a aplicação de multas a motoristas de fora da cidade durante o período festivo, sob a justificativa de que visitantes “não conhecem a cidade”.
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A fala, feita diante do prefeito de Serrinha, Cyro Novais, da tenente-coronel Maria Aparecida, comandante do 16º Batalhão da Polícia Militar, e do coronel Daniel Gomes Figueiredo, comandante do Comando de Policiamento da Região Nordeste (CPR-NE), provocou reação imediata. Ferraz defendeu que a prefeitura evitasse “exageros” na fiscalização e adotasse uma postura mais pedagógica com os visitantes. A proposta, porém, esbarra em um impedimento legal: agentes de trânsito não possuem discricionariedade para deixar de autuar infrações previstas em lei.
Advogado de formação, o prefeito rejeitou a ideia de forma categórica. “Eu jamais passaria uma orientação para o trânsito para não multar uma infração”, afirmou.
Durante a resposta, o comunicador interrompeu o prefeito em tom exaltado, o que elevou a tensão no ambiente. Cyro rebateu de forma firme. “Você perguntou, então escute. A palavra está comigo, baixe sua bola”, retrucou.
Diante do impasse, a comandante da PM interveio para conter os ânimos e preservar o andamento da coletiva. “Ferraz, se acalme, tome uma água. Peço que a gente mantenha essa coletiva com respeito. Estamos aqui para acalmar a população”, declarou a tenente-coronel. (VEJA VÍDEO AQUI)

Multa não é opcional — A sugestão de suspender autuações durante festas populares ignora o funcionamento da legislação de trânsito no Brasil. O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) estabelece normas complementares ao Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que determina que toda infração constatada por agente competente — ou por equipamento eletrônico regularmente homologado — está sujeita à autuação. Na prática, isso significa que o agente público não pode simplesmente “fechar os olhos” diante de uma irregularidade por conveniência política ou por tratamento diferenciado a visitantes.
Além disso, a lei não faz distinção entre condutores locais e turistas. Avançar sinal vermelho, estacionar em local proibido, dirigir sem cinto de segurança ou trafegar sob efeito de álcool são infrações ou crimes, independentemente da origem do motorista.
Ao retomar a fala, Cyro fez justamente essa comparação. “É o mesmo que a PM presenciar alguém cometendo um crime e dizer que não vai prender porque é visitante da cidade”, afirmou.
Ao longo dos seis dias de festa, a cidade recebe milhares de visitantes e registra aumento expressivo no fluxo de veículos. Também é um período em que cresce o consumo de bebidas alcoólicas — fator diretamente associado ao aumento de acidentes graves.
Pelo CTB, dirigir sob influência de álcool pode gerar penalidades severas. Quando o teor alcoólico constatado caracteriza crime de trânsito, o condutor pode responder criminalmente, além de sofrer multa elevada e suspensão do direito de dirigir.
Em cenários assim, flexibilizar a fiscalização não seria apenas uma medida impopular entre especialistas em segurança viária — poderia transmitir uma mensagem de tolerância diante de condutas de alto risco. * Com imagens da TV Eventos Serrinha









